[Revista Digital] Tristeza final de ano – Olga Tessari

Tristeza no final do ano

© Dra. Olga Tessari

 

O final do ano é um período de celebração, de comemoração, de confraternização! Como alguém pode ficar triste nesse período? Expectativas não realizadas, saudades da família, lembranças de celebrações passadas, pressão social para o consumo excessivo e mudanças na dieta e na rotina podem colaborar para o aumento do estresse e estão entre as possíveis causas da tristeza no final do ano.

Se para a maioria das pessoas as festas de final de ano e o espírito natalino são o símbolo da alegria, das comemorações e das confraternizações, para outras tantas esse período representa uma fase de tristeza, solidão e sofrimento.

Por tradição, Natal e Réveillon são momentos de confraternização entre amigos e colegas de trabalho, mas, principalmente, de encontro com a família. Pessoas que são solitárias ou vivem sozinhas, sem família ou recém-separadas, que não têm boas lembranças do Natal, que não mantêm uma boa convivência familiar, com mágoas e/ou conflitos mal resolvidos, entre outros fatores, sofrem muito nessa época onde todos parecem estar felizes e de bem com a vida. O fato de se sentir obrigado a estar nessas festas ao lado de pessoas com as quais elas não se sentem bem e/ou terem que fingir uma alegria imensa porque todos estão felizes, pode levar essas pessoas a se sentirem tristes e infelizes nesse período.

Para algumas pessoas, a causa dessa tristeza está nas lembranças e memórias de finais de ano que viveram na infância ou juventude e que, hoje em dia, já não têm mais, seja pelo fato de ainda não saberem lidar bem com a perda de familiares que se foram ou que já não fazem mais parte do seu convívio, seja pela separação do casal ou pela morte de entes queridos.

O fato de estar desempregado ou de não ter sido aprovado em algum curso também pode gerar tristeza, provocada pelo sentimento de luto pela perda: vale dizer que a tristeza é uma consequência natural pela qual todos nós passamos diante do fato de não sabermos lidar com as perdas. Quanto mais tristes ficamos, mais importante é o que se perdeu.

Outro fator que pode gerar a tristeza é concluir que os planos traçados para o ano que está terminando não deram certo. É muito comum, no início de cada ano, fazermos planos, traçarmos metas, iniciarmos projetos e mantermos uma expectativa elevada – e, às vezes, até irreal –, de que tudo vai dar certo e de que atingiremos os nossos objetivos traçados.

Mas, no final do ano, ao fazermos uma retrospectiva para avaliarmos o nosso desempenho no decorrer do ano que chega ao fim, é natural fazermos um questionamento: o que realmente realizamos? Quais foram as nossas vitórias, as nossas derrotas? O que ficou somente nos planos e não se concretizou? O que permaneceu abaixo das expectativas? Aonde vencemos? Falhamos em que? Dependendo do resultado de nossa autoanálise acerca da nossa trajetória ao longo do ano, podemos ficar felizes ou entrarmos num estado de ansiedade, de tristeza e de muita angústia.

Algumas pessoas se abatem só de pensar no trabalho para realizar as festas. O que para uns é uma época repleta de esperança, sonhos, planos e delícias para saborear, para outros é um grande tormento, um pesadelo, um peso a ser carregado. Correr atrás dos presentes para comprar para os familiares e para o amigo secreto/oculto, programar as festas de confraternização do trabalho, comprar as roupas que serão usadas nessas festas, planejar e preparar todos aqueles pratos maravilhosos que são servidos nessas ocasiões, enfeitar a casa, montar a árvore de Natal, etc., acabam sobrecarregando essas pessoas pela quantidade de coisas a serem feitas e pelo tempo curto para poder realizar tudo o que se planejou! Todas essas atividades extras desse período podem colaborar para que algumas pessoas fiquem estressadas e cansadas, o que pode deixá-las tristes e abatidas.

Muitas pessoas confundem depressão com tristeza: a tristeza é algo normal e natural do ser humano, surge em situações de frustração, mágoas, perdas, falta de perspectivas, mudanças não desejadas, desilusão ou qualquer outro sofrimento causado por problemas do dia a dia e pela maneira como as pessoas encaram e lidam com as situações e os problemas que elas acarretam. A tristeza é algo passageiro, dói muito e é consequência de algum fator adverso da vida, mas tende a diminuir dia a dia e desaparecer à medida que os dias passam, fazendo com que a pessoa volte à sua vida normal.

É importante destacar que a tristeza que surge nessa época do ano costuma ir embora quando acabam as festas, trazendo um grande alívio para quem está triste.

A tristeza tem uma causa definida, dura por um determinado tempo e logo vai embora. A depressão, ao contrário, pode se manifestar em qualquer pessoa, a qualquer hora e em qualquer idade, sem nenhum motivo aparente: para identificar a depressão é importante destacar que os sintomas dela permanecem na maior parte do tempo por, no mínimo, 6 meses. Uma pessoa depressiva tem uma sensação de vazio, de impotência, de não querer fazer nada e de que nada vale a pena. É como se ela se sentisse sem saída, não conseguindo vislumbrar uma solução para os seus problemas e sofrimento. Ela prefere ficar quieta, isolada, sem vontade de interagir com ninguém. Por mais que as pessoas à sua volta queiram ajudá-la ou estimulá-la a sair desse estado, ela não consegue, sente-se incapaz, gerando nela uma sensação de impotência, o que colabora para a diminuição da autoestima.

As festas de final de ano potencializam as emoções e podem desencadear um quadro depressivo nos indivíduos já fragilizados emocionalmente, bem como agravar os sintomas daqueles que já convivem com a depressão.

Fique alerta se nesta época surgirem os seguintes sintomas: dor de cabeça frequente, insônia ou sono excessivo, mudanças repentinas no apetite causando perda ou aumento de peso, agitação ou ansiedade, sentimentos de culpa, diminuição na concentração e no interesse por atividades que normalmente levam ao prazer (comida, sexo, trabalho, amigos, hobby). Se persistirem os sintomas, mesmo bem depois de passadas as festas de final de ano, é hora de procurar ajuda psicológica para resolver o problema.

Dra. Olga Inês Tessari
Psicóloga e Psicoterapeuta desde 1984 Psicóloga Perita –
Escritora – Mediadora de Conflitos Cursos e Palestras sob
medida para empresas e grupos
Pesquisas – Consultoria – Supervisão – Life & Professional
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