[Revista Digital] Time’s up | Marcia Lopes |

Fonte: Viva 50 | Fonte: Estilo UOL

No ano que passou, presenciamos vários depoimentos que expuseram feridas antigas na indústria do cinema: os assédios sexuais.

Por conta disso, a maioria das celebridades protestou no Globo de Ouro, vestindo preto, que representava sua posição contra os crimes, mas também na iniciativa de promover iniciativas que combatam efetivamente a violência sexual.

Logo depois veio a polêmica da carta de Catherine Deneuve, acompanhada por outras 99 francesas “pelo ‘direito’ dos homens de cantarem as mulheres”.

Aqui, na terra tupiniquim, ressoou negativamente a declaração da Danuza Leão, no Globo, com trechos como “O Globo de Ouro pareceu um grande funeral” ou quando escreveu que as artistas “foram muito pouco paqueradas e voltaram sozinhas para casa” na noite do evento.

Não quero aqui entrar em polêmica, levantar bandeiras ou discutir acerca dos diferentes pontos de vista, pois esse não é o meu papel na Revista. Mas gostaria de avançar um pouco na linha de pensamento e trazer esses assuntos ao que diz respeito ao comportamento profissional, às relações no trabalho.

 

Assédio Sexual

Infelizmente é uma realidade. Medidas jurídicas já existem. Mas o que vemos nessas situações é justamente a falta do “olhar” para o outro, para o colega de trabalho como alguém que merece respeito.

Esse olhar seria o liame aceitável nas relações de trabalho entre o divisor de cada um. Representa ainda o reconhecimento do profissional pelo seu mérito e não por seus atributos físicos.

“Marcia, o que isso tem a ver com etiqueta no trabalho?” Tudo!

Sinal de boa educação é sabermos reconhecer a hora de parar, quando nos tornamos inconvenientes. Ser uma pessoa agradável de conviver, que merece a confiança de seus pares e que é admirada justamente por ser verdadeira em palavras e atos.

Sentimentos “além da amizade” podem ter origem num ambiente de trabalho? Sim! Como dizia minha avó “Coração é terra que ninguém manda”. Mas o sentimento deve ser recíproco e não forçado.

Com uma postura gentil e cortês, certamente não teríamos tantos casos de assédio sexual.

 

Diferentes pontos de vista

“O que seria do azul se todos gostassem do amarelo?”

Aqui está outra regra de ouro!

Os artistas que foram à festa de preto, o fizeram por entender que a cor, o tipo do traje, representaria o movimento que apoiam (foram usadas rosas no Grammy).

A Catherine Deneuve e as pessoas que a acompanharam tiveram uma atitude no mínimo corajosa, pois entenderam que deveriam se manifestar, de forma pacífica, a algo que não concordam na integralidade. Eram poucas pessoas, enfrentando milhões de seguidores, digamos assim.

Qual foi a reação pública? Um “caça às bruxas”.

Novamente, sem entrar no mérito da questão, pergunto: isso ocorre no seu ambiente de trabalho?

Quantas vezes somos desencorajados ou desencorajamos colegas a expor seu ponto de vista pelo receio de ser rechaçado, ignorado ou até mesmo ter sua ideia exposta de maneira equivocada?

Quantas vezes nos irritamos somente pelo fato de, numa mesa de reunião, aparecer uma sugestão totalmente contrária à nossa?

Pois é: nessas ocasiões, perdemos grandes oportunidades de crescimento e aprendizado. Simplesmente pelo fato de não estarmos disponíveis a ouvir ou por calarmos nossa voz.

O diálogo, a comunicação eficiente só denota o quanto somos elegantes no sentido amplo da palavra e o quanto realmente estamos preparados para trabalhar em equipe no atual espírito cooperativo.

O uso das palavras

Já a matéria da Danuza foi criticada por outro motivo: a acidez com que expôs seu ponto de vista. A forma com que se referiu à iniciativa de maneira a diminuir o foco do movimento.

As palavras têm um poder absurdo. Imagem também é comunicação verbal. Usamos dessa ferramenta de maneira prioritária no trabalho.

Aqui a dica é: escolha suas palavras, pense em como o outro vai recebê-las. Agindo dessa forma, o resultado só pode ser um: satisfatório (para todos os envolvidos).

 

Um beijo grande e até a próxima!

Marcia Lopes

Quem sou eu?

  • Formada em Estilo e Imagem Pessoal, <i>Personal Shopper</i> e Coloração Pessoal.
  • Pós-graduada em Interfaces da Moda, pelo SENAI Antoine Skaf.
  • Desenho de Moda, pelo SENAI Antoine Skaf.
  • Membro da Associação Internacional de Consultores de Imagem. Voluntária no Departamento Jurídico.
  • Apresentadora do Programa Papo e Estilo, Canal 15, da NET, SWTV.
  • Advogada e pós-graduada em Direito. Assessora da 20ª Turma do Tribunal de Ética da OAB/SP.
  • Mais de 20 anos de experiência no mundo corporativo.
  • Experiência acadêmica.
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