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[Revista Digital] Porquê e como exercitar a interculturalidade no secretariado | Simone Cunha

Neste breve artigo, eu compartilho o que foram para mim os principais aprendizados com a leitura do livro “Secretariado Intercultural”, da autora Marcela Brito, ao mesmo tempo em que trago algumas observações de minha experiência pessoal sobre o tema. Aqui eu gostaria de destacar: por que a interculturalidade é uma característica essencial no perfil de todo profissional de Secretariado e como você pode exercitá-la e internalizar esta competência no seu modo de trabalho.

Segundo minha leitura, interculturalidade seria a capacidade de interagir entre culturas diferentes e, no processo, atingir como resultados a construção de um ambiente agradável, saudável, tolerante e frutífero, por meio da construção de bons relacionamentos, visando o crescimento de pessoas e organizações, possibilitando aprendizados e trocas.

 

Por quê a interculturalidade seria uma característica imprescindível no perfil de todo profissional de Secretariado?

O exercício da interculturalidade é um fator indispensável para todo profissional porque é um diferencial competitivo. Segundo Friedman, mencionado por Marcela no livro em referência, o mundo passou por três diferentes globalizações: primeiro, a globalização dos países, depois a globalização das empresas e, por último, a globalização dos indivíduos.

Veja, mesmo que o profissional trabalhe no Brasil e em uma empres a nacional, a abertura para a interculturalidade e a consciência de sua necessidade são primordiais, já que o Brasil é um país de dimensões continentais, cujas regiões possuem culturas e hábitos distintos, e o profissional de Secretariado está a todo o momento lidando com situações, assessorando executivos, atendendo clientes e apoiando empresas que estão totalmente envolvidas neste contexto.

Além disso, a interculturalidade se faz não apenas crucial, mas totalmente presente, na rotina de profissionais que atuam em empresas multinacionais ou em outros países, já que estão imersos em outra cultura, comunicando-se em outros idiomas e relacionando-se com indivíduos em um ambiente muitas vezes diferente de seu ambiente de origem.

De outro ponto de vista, se pensarmos que algumas das melhores oportunidades de trabalho e remuneração surgem em empresas que têm relações de negócios internacionais e exigem conhecimento não apenas de outros idiomas, mas também de outras culturas, a interculturalidade se mostra, uma vez mais, primordial como diferencial competitivo no mercado de trabalho.

Como exercitar e internalizar a interculturalidade?

No recorte que aqui faço do livro, a interculturalidade poderia ser desenvolvida em duas frentes:

A primeira frente seria a inteligência emocional. Marcela Brito menciona o Psicólogo americano Daniel Goleman e seu estudo sobre Inteligência Emocional, e nós vamos começar por aqui, porque este certamente é o princípio de tudo.

Goleman afirma que inteligência emocional é a habilidade de exercer o controle e ter equilíbrio de nossas emoções. Isso seria atingido por meio de: autoconhecimento, autocontrole, automotivação, empatia e, finalmente, relacionamento interpessoal. O relacionamento interpessoal surgiria como resultado do bom exercício de todas as competências anteriores.

Para Marcela, “o primeiro passo é conhecer a si mesmo. Sem saber como se lida consigo mesmo é difícil tentar prosseguir em um relacionamento com o outro, a despeito do meio”.

Em outro trecho de seu livro, Marcela diz que as competências da inteligência emocional, “quando adquiridas por profissionais, produzem efeitos positivos na relação de trabalho”.

A segunda frente essencial para o exercício da interculturalidade seria língua e cultura. E aqui eu apresento estes dois fatores como um único item porque, como bem menciona Marcela, segundo o Etnólogo francês Warnier, ambas são indissociáveis.

Em outra passagem do livro, Marcela escreve: “o choque cultural, causado inicialmente, é importante para despertar no indivíduo a percepção do quanto existe além do meio onde ele vive. É nesse ambiente que a habilidade de tolerar o outro, que é diferente, se desenvolve”.

Ou seja, para exercer a interculturalidade, o simples domínio do idioma não é suficiente, é necessário o desenvolvimento da combinação de três competências: conhecimento, habilidade e atitude. Marcel a menciona em seu livro Thomas & Inkson, para explicar como uma pessoa exercita estas competências a serviço da interculturalidade:

“Uma pessoa culturalmente inteligente possui:

– o conhecimento para compreender o fenômeno do intercâmbio cultural;

– a atenção para observar e interpretar situações específicas;

– a habilidade de adaptar a conduta e agir apropriadamente, obtendo sucesso, em situações variadas.

De minhas experiências, tanto no Brasil como fora dele, a atitude intercultural é assimilada de acordo a exposição do profissional a situações que permitam o seu exercício. É uma habilidade contemporânea obrigatória para o êxito do profissional de Secretariado e se desenvolve em um processo ativo, intencional, constante e evolutivo. São necessários interesse, dedicação, sensibilidade e real interesse pelo outro para colocá-la em prática.

Para concluir, eu gostaria de parabenizar a autora pelo livro. “Secretariado Intercultural” é extremamente rico e traz outros aspectos muito importantes que não estão presentes neste artigo, de forma que eu recomendo a leitura da obra completa para todo profissional Secretário que deseje se desenvolver e ter um diferencial competitivo no mercado de trabalho.

Simone Cunha Reis
Blog: www.secretariadocomsimone.com
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E-mail: contato@secretariadocomsimone.com

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