[Revista Digital] O design de sua vida | Simone Cunha | Executiva News Revista Digital

[Revista Digital] O design de sua vida | Simone Cunha

No artigo deste mês, eu gostaria de trazer para você, Leitor da Executiva News, algumas reflexões minhas a respeito da leitura de um livro que se chama “O Design da Sua Vida”, escrito por Dave Evans e Bill Burnett.
O livro parte do princípio que todos nós podemos desenhar a vida que queremos, mesmo que nos encontremos em um ponto onde tudo parece estar já “definido” ou “estruturado” e “não há como mudar”. Principalmente se, neste ponto, você não estiver satisfeito com o “onde” ou com o “como” você está.
Os autores são Professores de Design Thinking na universidade de Stanford, e aplicam essa metodologia em sala de aula para problemas da vida cotidiana, sugerindo aos seus alunos que o façam por meio da criação de protótipos e experimentação.
Mas, antes de pensar em protótipos ou em fazer testes, devemos partir do início e entender onde estamos neste exato momento. Há uma frase logo no começo do livro que diz: “Você não pode saber aonde você está indo se você não sabe onde está”.
Os autores sugerem então que partamos de uma análise do que eles consideram as 4 áreas-chave de nossa vida: trabalho, lazer, amor e saúde.
A ideia aqui é fazer um exercício, escrevendo mesmo, sobre cada uma dessas áreas, com a finalidade de perceber onde estamos em cada uma delas, para ter clareza de para onde estamos indo ou queremos ir. Podemos perceber que algumas áreas de nossas vidas estão mais desenvolvidas ou melhores que outras – e isso é normal. A ideia deste exercício não é nos desanimar, mas deixar claro que “nós só terminamos de desenhar a nossa vida quando morremos”, ou seja, enquanto estivermos vivos, a nossa vida terá dinâmica, mudanças e sempre poderá ser redesenhada, em cada uma de suas fases.
Outro ponto-chave do livro está em uma frase que diz: “Uma vida coerente é aquela que é vivida de forma que você pode conectar com clareza os pontos entre estas 3 coisas: quem você É, no que você ACREDITA, o que você ESTÁ FAZENDO”.
A partir daí, os autores sugerem que façamos uma avaliação da nossa “visão de vida” e da nossa “visão de trabalho” separadamente. Em seguida, ele sugere que integremos essas duas visões, entendendo como uma complementa a outra e onde elas se conflitam. Desse exercício, surgiria o que nos ajudaria durante toda a nossa jornada de desenhar a nossa própria vida, já que segundo eles, a integração da visão de trabalho e da visão de vida nos dá o nosso verdadeiro norte, ou seja, a nossa bússola.
Os autores acreditam que desenhar a nossa vida é uma atividade constante, que podemos viver várias e diferentes vidas em uma única experiência nesta terra, e que entender como a nossa “visão de vida” e “visão de trabalho” interagem e se complementam nos ajuda a sempre sermos capazes de acessar onde estamos e comparar a nossa posição atual com o nosso norte verdadeiro.
Diferente do GPS, que nos dá instruções precisas do caminho, a bússola nos dá a direção.
Ao longo da nossa vida, certamente precisaremos “seguir conforme as condições dos
ventos” e nos adaptar conforme necessário, mas sempre poderemos verificar a nossa
bússola para nos orientar.
“Tendo a sua visão de trabalho e vida em harmonia uma com a outra, você aumenta a sua clareza e habilidade de viver uma vida conscientemente coerente e significativa. Uma vida onde quem você é, o que você acredita e o que você faz estão alinhados”.
Segundo o Design Thinking, a resposta para a pergunta “o que eu busco?” seria “desenhar a minha vida”.
Eu já vivi momentos bastante frustrantes em minha trajetória profissional, e a leitura deste livro me ajudou a entender o motivo de tamanho desgaste e descontentamento – aquelas experiências eram totalmente incoerentes. E, como este livro me ajudou, eu acreditei que também poderia te ajudar. Escrever este artigo não foi de forma alguma um intento de resenhar a obra, mas falar um pouco sobre a sua introdução para aqueles que precisam fazer mais pelo design de sua vida.
Nos meus dois primeiros artigos para a Executiva News, em dezembro de 2017 e janeiro de 2018, nós falamos sobre “Plano de Carreira” no sentido mais técnico da expressão: a necessidade de e como assumir a responsabilidade sobre a nossa carreira e desenvolvimento profissional. Estes foram os pontos principais daqueles dois artigos (se você ainda não leu, sugiro que o faça, porque foram escritos com base na obra “O
framework do plano de carreira do profissional Secretário”, um projeto maravilhoso escrito por muitas mãos no grupo de estudos Secretariando, apoiado pelo SINSESP).
No artigo desta edição, a minha sugestão é pensar o nosso plano de carreira sob outra ótica, desde o ponto de vista do Design Thinking, olhando nossa vida como um todo, e não separada entre “profissional” e “pessoal” e entender que sempre poderemos desenhá-la, em cada uma de suas fases, se tivermos a nossa bússola em mãos.

Vamos juntos nessa jornada! Grande abraço!

Simone Cunha Reis
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