Pin It

[Revista Digital] Dependência emocional e apego | Olga Tessari

Apego é um vínculo afetivo desenvolvido por uma pessoa em relação a algo ou alguém que, por sua importância, deve estar sempre próximo e que não pode ser substituído por nada, nem por ninguém. O apego pode estar relacionado a vários sentimentos como à posse, ao medo da perda, à sorte, ao medo de sofrimento, à baixa autoestima, à solidão, a lembranças, etc.

Todas as nossas ações são movidas pelas nossas emoções de alguma forma. Para muitas pessoas é muito comum manter um determinado objeto em sua posse por muito tempo e depositar nele um valor sentimental, dando a ele uma importância que vai muito além da parte meramente material. Quando uma pessoa compra uma determinada roupa, por exemplo, o seu desejo é ficar bonita, bem vestida, sentir-se bem. Se houver um acontecimento marcante e positivo para ela, exatamente naquele dia em que ela estiver usando essa determinada roupa, é bem capaz dela não querer se desfazer da roupa de jeito nenhum, guardá-la como recordação ou tê-la como um talismã, vendo-a como um símbolo de sorte; provavelmente ela vai passar a usar a tal roupa sempre que ela quiser que algo bom e positivo aconteça a ela e até acreditar que é o vestido quem lhe traz sorte, como se ela não fosse capaz de conquistar essa sorte sem estar com essa roupa específica. Por outro lado, também há pessoas que, quando vestem uma determinada roupa e passam por um momento de azar, de sofrimento, de problemas ou de tristeza, procuram evitar o seu uso novamente, com medo do azar acontecer outra vez, mas não se desfazem da roupa, mantendo-as como uma forma de alertá-las e relembrá-las do sofrimento que tiveram ao usá-la, jamais vestindo tal roupa outra vez. Enfim, seja qual for o objeto de apego, certamente ele tem um significado especial e diferente para cada pessoa e uma boa razão para que ela o mantenha.

Podemos ter apego por qualquer coisa na vida: conhecimento, poder, sexo, chocolate, televisão, status, roupas, um nome, um carro, um computador, um time de futebol, um animal, uma planta, etc.: qualquer coisa pode servir como objeto de apego. Não há problema algum em guardar um objeto por puro sentimentalismo, desde que esse objeto não atrapalhe e não interfira nas suas ações do dia a dia.

No relacionamento afetivo, o apego excessivo na pessoa amada pode provocar vários medos: o medo de ficar sozinho, o medo de pensar que não vai conseguir sobreviver sem o parceiro ao seu lado, o fato de sentir-se incapaz de conquistar outra pessoa, o medo das críticas dos amigos e familiares, o medo da mudança, etc. Estes são alguns dos fatores que colaboram para que a pessoa mantenha o seu apego, custe o que custar. Como diz o ditado: “ruim com ele, pior sem ele”. Esse apego excessivo costuma ser muito comum entre as mulheres que deixam a sua vida de lado para viverem em função do seu parceiro, sujeitando-se a continuar uma relação com alguém que, muitas vezes, não lhe faz bem, tornando-se um apego tão excessivo que se transforma numa dependência emocional, o que pode lhe trazer muito sofrimento, paralisando e/ou limitando a sua vida, trazendo insegurança à pessoa que se apega, sem contar que o relacionamento será cada vez mais conflituoso, com muitas brigas, mágoas e ressentimentos que, conforme o tempo passar, promoverão o afastamento do casal e, por último, o fim do relacionamento.

O apego excessivo, em geral, revela e reflete uma pessoa emocionalmente insegura, com baixa autoestima, que se sente incapaz de ser feliz sozinha, acreditando que só será feliz se tiver essa pessoa ao seu lado.

Quem é independente emocionalmente não sente a necessidade de ter a seu lado outra pessoa para se sentir segura e feliz: quem está ao lado dela vem apenas para somar à sua felicidade já existente. É muito comum a pessoa que se apega a alguém deixar de viver a sua própria vida, passando a viver praticamente em função da pessoa a quem se apega, depositando nela a razão de sua felicidade, agindo de forma a cobrar, sem perceber, que a pessoa a quem ela se apega a faça feliz, exigindo que ela tenha determinados comportamentos e atitudes, ditando regras: é como se ela quisesse que a pessoa a quem se apega agisse e se comportasse somente da forma como ela gostaria.

Quem que se apega demais a objetos ou pessoas sempre acaba sofrendo, porque, mais cedo ou mais tarde, certamente vai perder seus objetos de apego, seja porque o objeto estragou porque foi perdido ou roubado, seja porque a pessoa a quem ela se apega decide sair da vida dela ou morre.

Estabelecer vínculos afetivos é bom e saudável, desde que aquele que tem o hábito de se apegar saiba que a pessoa-alvo de seu apego não é sua propriedade – é uma pessoa livre para ser quem é e agir da forma que é melhor para ela, e que também não tem obrigação alguma de fazer nada que não queira. Amor é algo muito diferente de apego e de dependência emocional. Como diz o ditado, amar é querer ver a pessoa amada feliz, amor não é agir de forma egoísta, pensando apenas na própria felicidade.

As perdas fazem parte da vida e do nosso dia a dia. É preciso estar preparado para lidar bem com elas, até porque, a todo o momento, estamos perdendo alguma coisa ou alguém!

Pessoas que não sabem lidar com as perdas, que paralisam as suas vidas para viverem em função dos seus objetos ou pessoas de apego, devem procurar a ajuda profissional de um Psicólogo para aprenderem a desapegar e acabar de vez com a sua dependência emocional. Porque, como disse, no final, em algum momento, elas vão perder seu objeto ou pessoa de apego. E, talvez, por conta dessa consciência da perda, mas também por não querer aceitar que essa perda vai acontecer em algum momento, quem se apega sofre por antecipação, cria muitos medos, eleva sua ansiedade e acaba estressado, tudo por conta do medo de vir a perder o seu alvo de apego. Enquanto isso, a vida está passando, o tempo está correndo: aquele que se apega deixou de viver bons momentos, deixou aproveitar muitas coisas boas do seu dia a dia, justamente por conta do sofrimento, da dependência e do medo da perda!

 

Dra. Olga Tessari – Psicóloga, Pesquisadora, Palestrante e Escritora, autora dos livros “Dirija a sua vida sem medo” e “Amor X Dor”. Mantém seu próprio site na Internet há mais de 17 anos com mais de mil páginas e mais de 100 milhões de visitantes, sobre problemas que afetam o seu dia a dia e a qualidade de vida, apontando caminhos para resolvê-los. Visite o site: www.olgatessari.com

 

ATENÇÃO

Meu perfil oficial no Instagram é @olgatessari

Vou desativar essa conta (@otessari)

Peço que você me adicione em @olgatessari
Obrigada! Olga Tessari

 

(Visited 17 times, 1 visits today)
%d blogueiros gostam disto: