[Revista Digital] A correria do dia a dia e as consequências nefastas para a sua saúde | Olga Tessari

© Olga Tessari

É comum ouvirmos algumas frases que se repetem no dia a dia, seja no elevador, no transporte coletivo, nas ruas ou no trabalho: “estou estressado”, “estou cansado”, “não aguento mais”.
E o que leva as pessoas a esse estresse? Seria a correria do dia a dia? Pare e pense: por que corremos tanto? Por que quase nunca temos tempo para nada? Por que sempre estamos envolvidos em uma infinidade de compromissos e de tarefas a cumprir? O que leva uma pessoa a assumir tantas atividades ao mesmo tempo? Qual é o objetivo dela ao se sobrecarregar com tantos compromissos?
Há várias razões que levam uma pessoa a assumir muitos compromissos: a dificuldade de dizer não para os outros pode colaborar para que ela se sobrecarregue com tarefas além da conta; ela também pode ser uma pessoa que sente a necessidade de mostrar para os outros ou até para si mesma que é capaz de dar conta de tudo; a sobrecarga também pode ser uma consequência da dificuldade em mensurar exatamente o tempo dispendido para cumprir com todas as tarefas assumidas; o excesso de tarefas também pode estar relacionado ao fato da pessoa acreditar que ninguém é capaz de realizar essas atividades melhor do que ela mesma!
Quando a pessoa vive correndo o tempo todo, sem tempo para absolutamente nada, ela está se desrespeitando, não está levando em conta as necessidades básicas de seu organismo. Quantas pessoas acabam fazendo uso de drogas lícitas ou ilícitas para se manterem acordadas apenas para ter mais tempo para poderem cumprir com todas as tarefas que assumiram? E o organismo? Como ele vai reagir diante desse desrespeito, por deixarmos de dormir? Será que ele vai suportar essa agressão? O sono é fundamental para recarregarmos nossas energias, para que, ao acordarmos no dia seguinte, estejamos com carga total e muita energia para viver esse novo dia.
Quem se sobrecarrega com muitas atividades geralmente também não tem tempo suficiente para se alimentar da forma adequada, e acaba por comer o que estiver à mão ao mesmo tempo em que realiza suas tarefas, o que a leva a alimentar-se muito mal ao longo dos dias. Não podemos nos esquecer de que uma boa alimentação é necessária para que nosso organismo funcione adequadamente, para que possamos dar conta das nossas atividades. Se compararmos a alimentação ao combustível do seu automóvel, certamente você faz questão de encher o tanque com o melhor combustível para que ele funcione adequadamente. E você? Qual é o combustível que você dá ao seu organismo?
O fato é que, quem assume compromissos em demasia, só revela o desrespeito que tem para consigo mesmo, com um perfil de personalidade voltado para “fazer bonito” ou agradar as pessoas à sua volta, esquecendo-se de si mesmas. Em geral, são pessoas que sofrem com a baixa autoestima e precisam da aprovação do outro para se sentirem melhor consigo mesmas.
Mas o organismo é sábio! Ele até está preparado para suportar muitas agressões por um período curto e se recuperar naturalmente passado esse momento. Mas, quando o desrespeito a si mesmo se estende por um longo período, o organismo começa a reclamar. É comum as pessoas não darem “ouvido” a essas reclamações como a irritação, o mau humor, o cansaço a qualquer hora do dia, taquicardia, falta de ar, suores, tremores, desânimo, pequenos distúrbios gastrointestinais, insônia, entre outros. Conforme o tempo passa, se a pessoa continuar a se desrespeitar, os sintomas físicos e emocionais só irão se exacerbar: dores musculares, alergias, gastrites, além de problemas emocionais como transtorno de ansiedade, pânico ou depressão.
Ao invés de tentar entender que esses sintomas físicos são apenas um alerta do seu organismo dizendo que é hora de diminuir o ritmo, que é hora de parar e passar a respeitar a si mesmo e aos seus limites em primeiro lugar, quem se encontra nesse estado e com todos esses sintomas só pensa em acabar com eles, e passa a tomar medicações que servem apenas para “abafar” os sintomas e que não resolvem o problema.
Com o passar do tempo, a memória passa a falhar nos momentos mais importantes, a pessoa já não consegue mais raciocinar de forma clara, lógica e adequada e os pensamentos negativos tornam-se comuns no dia a dia da pessoa que se desrespeita. Ela começa a acreditar que está se tornando cada vez mais pessimista, mas não consegue controlar seus pensamentos negativos que passam a dominá-la. E isso se torna um círculo vicioso sem fim, que vai culminar na diminuição do rendimento escolar, profissional, afetivo e/ou familiar, na perda da libido, além da queda cada vez maior da autoestima, justamente porque a pessoa já não pode mais contar com sua memória, não consegue mais raciocinar bem e se sente incapaz de reagir bem diante de várias situações do seu dia a dia.
E o que a pessoa que se encontra nesse estado, ou que quer evitar chegar a esse estado, deve fazer para se respeitar mais e saber dos seus limites? Saber ouvir as necessidades do seu próprio organismo é fundamental. Muitas vezes, é melhor dormir quando está com sono e deixar as tarefas para o dia seguinte, até porque, quando estamos cansados, nosso raciocínio se torna lento, assim como nossos movimentos, o que demanda mais tempo para cumprir uma tarefa que seria realizada fácil e rapidamente no dia seguinte, depois de uma boa noite de sono. É melhor parar na hora do almoço para fazer uma boa refeição! Isso não é perda de tempo, ao contrário, é um momento em que você vai prestar atenção ao que vai comer, melhorar sua alimentação e também colaborar para que haja um intervalo entre suas tarefas, o que é muito benéfico para o seu rendimento de uma maneira geral.
E, se você já está na fase crítica, com muitos sintomas físicos, procure um Psicólogo de sua confiança para que você possa entender os fatores que impedem você de se respeitar, para aprender a lidar com eles e superá-los. Porque uma coisa é certa: quando você se desrespeita além da conta e extrapola o limite que seu corpo tem de suportar as agressões, ele vai adoecer e quem vai sofrer é você mesmo. As tarefas continuarão lá se acumulando cada vez mais e você não poderá realizá-las. Pense nisso!

Dra. Olga Inês Tessari
Psicóloga e Psicoterapeuta desde 1984
Psicóloga Perita – Escritora – Mediadora de Conflitos
Cursos e Palestras sob medida para empresas e grupos
Pesquisas – Consultoria – Supervisão – Life & Professional
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