O incompetente não sabe que é incompetente, mas o sabotador sabe que o é | Secretariado Executivo

Sabotadores como lidar com eles?

Em um destes dias, voltando para casa de Uber, ouvia um programa de rádio onde o assunto principal eram as organizações e seus profissionais. Não era tratado um assunto em especial, mas uma gama de pontos onde, entre uma conversa e outra, sempre tocamos. Nós, que atuamos em empresas, escritórios e corporações, vamos fatidicamente encontrar alguns tipos profissionais que, independente de onde estivermos, lá eles estarão.

Quando então, dentro daquele Uber, me peguei pensando neste hoje, título, tive a sensação de passear por muitos degraus de nossos conjuntos de sociedades. Tais conjuntos que nos tornam a imagem para o outro ou, ainda, aquilo que talvez imaginemos passar, mas, de forma alguma, passamos.

Muito filosófico? Sim, vamos de Filosofia hoje, pois ela traz muitas respostas quando nos propomos a entrar em acordo com nós mesmos.

Parando então para refletir, trago a primeira questão: o incompetente não sabe que é incompetente. Sim, isto é praticamente uma máxima!!!! Este indivíduo que, por vezes, muitas vezes, ou todas as vezes, está consonante ao seu lado, seja na igreja, no escritório e até no metrô ou ônibus. O incompetente da igreja se enfeita, se prepara, se resguarda dos discursos lá pregados, mas na vida rotineira não participa ou pratica aquilo que diz ser de suma importância em sua conjectura religiosa. Mas Cora, vamos falar de religião? Não, quem sou eu!!! Estou tocando no ponto da incompetência por não levar a sério o PRATICAR, o que se aprende em uma profissão de fé. E profissão de fé não se trata de religião, mas aquilo ao que você se presta, ou seja, ser competente. Se citarmos religião, tomaria aqui a incompetência da devoção. Devoção e capricho não devem ser amigas de mãos dadas. Logo, concluo (e quando cito concluo, não é juízo de valor, mas tão somente conclusão): de nada adianta mostrar-se incompetente em sua fé, religião ou devoção mascarando aquilo que você escuta, mas não pratica.

O caminho inverso pode ser mais fácil. Ainda neste raciocínio, você, trabalhando em seu dia a dia, no escritório, consegue permear o incompetente? NOTA DE CUIDADO: incompetente não sabe que o é; então, precisamos analisar e verificar se o incompetente não somos nós mesmos: está cuidando de seu patrimônio intelectual ou tão somente acorda, veste-se e trabalha? Preocupa-se com o outro ali, logo ali sentado? Consegue emitir o som da palavra AJUDA? Tem tendência a unir e não dissociar? Como você responde a uma solicitação? Com tom de preparo para a tarefa ou gosta mesmo de praticar poder, exercendo força pela autoridade que, quase sempre, não é sua? Note-se aqui que o cuidado é muito mais ágil do que o julgamento. Se você se dedica ao zelo e entendimento da organização, dificilmente você prosperará em julgamento. O famoso “fazer o que tem que ser feito”, ou ainda “não há nada tão inútil quanto fazer com grande eficiência algo que não deveria ser feito” (esta última frase confiro créditos ao Sr. Peter Ducker). Derradeiro, se você tem a oportunidade em ajudar e contribuir ao grupo, faça! Seja competente e demonstre a vontade de sê-lo. Sem mais, bem mais, sem pedir o “verifique primeiro com fulano”… AJA!

Metrô e ônibus: você arriscaria uma incompetência nata de nossos transportes públicos? Certamente, após este questionamento, algo veio à sua cabeça, como por exemplo, a palavra ESTADO. Sim, o Estado (entenda-se governo, porque não vamos discutir neste texto, competência constitucional do Município, Estado e União), pois ele detém a competência de nos proporcionar algo digno quando mencionamos locomoção urbana em grandes cidades.

Conferido o que é de César a César, se utilizarmos estes tipos de transportes, veremos lixo no chão? Gente fingindo dormir em assento preferencial? Pessoas discutindo alto sobre assunto que não nos interessam? Damos passagem? Oferecemos ajuda ao cego que entra vagarosamente ao veículo? Voltamos ao princípio do incompetente que não IMAGINA o que pratica: somos incapazes e tão grosseiramente incompetentes de modos e educação básica para entender e dimensionar o espaço do outro…

Não aviso, não ligo, não olho, não dou chance, não dou trégua, e tripudiar… Ah… Tripudiar é faculdade orquestrada pelo incompetente. Alguns chamarão de insegurança, mas vejo como tremendo medo de viver. Um profundo e eterno desencontro consigo mesmo. Tripudio, pois assim, tenho os olhos voltados para mim mesmo.

Em uma de minhas leituras, que também contribuíram para este artigo, além do Uber e do programa de rádio, cito uma parte para exemplificar a burrice do incompetente: “…Piromaníaco Herói”: o sujeito de baixa autoestima que provocava incêndios para se destacar no salvamento das vítimas. Era em geral o primeiro a ligar aos bombeiros e dar declarações na TV. “The Synergist: How to Lead Your Team to Predictable Success” – Les McKeown (“O sinergista: como liderar sua equipe para o sucesso previsível”), identificou um tipo correspondente em chefias. Os “incêndios” deste são metafóricos, claro, mas de resultado negativo real: é o chefe que “queima” a própria equipe.

Acho bem factível que você reconheça alguém com esta “competência”, que se traduz em tão somente chamar a atenção pela incompetência.

Mudando de base contextual, mas ainda na linha de pensamento que o incompetente nos trouxe, vamos também de encontro com o sabotador que, bem sucintamente, é um tipo de incompetente, mas um tanto sagaz para ser mero não executor.

O sabotador tende a costurar, dentro de sua estratégia, algo que o beneficie, perante manipulação, condução ou ainda exercício de autoridade e, até por estes traços, é bem comum notar este perfil em executivos de nível mais alto. Não faço alusão a líderes, e sim, o próprio déspota. Esta inconsciência de sabotagem está em todos nós: alguns fazem mais discretamente enquanto outros podem de certa forma exercer em si e de outra, bem mais reprovável, quando trata-se do próximo.

Nas organizações hoje vemos muitas pessoas utilizarem-se de uma expressão chamada “puxar o tapete”. Na verdade, ela é bem antiga, mas veste roupagem na atualidade, pois alguns costumam chamar sabotagem de estratégia, e vejam que, sim, ela precisa de estratégia, de condução, de planejamento e ação, mas de nenhuma maneira será aceita como trunfo pela estratégia. Neste sentido, quando falamos de manobras deste quilate, sabemos exatamente o quanto o sabotador age, sabendo que o é. Ele traça e concorre em todos os aspectos, de forma a considerar aquilo que está no seu único e exclusivo objetivo. O sabotador, então, podemos presumir egoísta, pois não se mostra integrador – tão somente determina seus objetivos e consecução. Ele tende a usar a fama de “salvador” ou “herói”, construindo uma figura (que ele tão somente acredita repassar) de contribuição de modo integral e único, onde se confirma o perfil egoísta.

Considerei mais um trecho deste livro, “O Sinergista”, de McKeown: “Já o ‘herói sabotador’ aposta nisso. Julga todo mundo incompetente e acha que só ele tem a ‘receita secreta’. Seu comportamento muitas vezes parece altruísta, mas não é. Por exemplo, pode varar a madrugada rearranjando o layout do escritório, em vez de delegar a tarefa. Entre seus mantras estão frases como: ‘Se não for por mim, o barco afunda'”.

Identificaram alguém? Ainda que não seja do mundo corporativo? Ainda que não seja um chefe, mas um par? Para este formato de profissional, teremos que considerar pouca relação e muito cuidado ao tratar, utilizando de ferramenta de networking reverso, feedback e feedforward. É de suma importância termos esta visão de 360 graus para poder, de alguma forma, comunicar-lhe que, está sim, sendo visto e analisado.

Entre sabotadores e incompetentes, vice e versa, estamos cada vez mais norteando e mapeando detalhes de nossas organizações que se mostram, muitas vezes, doentes, quebradas e com profissionais mal preparados emocionalmente, sendo coadjuvantes de outros profissionais que demonstram não somente competência, mas MATURIDADE profissional. Sem pontuar seus anos de trabalho, mas o quanto você é preparado para atuar no cenário corporativo sem devaneios, mitologia, vitimismo, lenda ou desserviço. É se tratar, realmente, como um capacitador de atividade, maximizando os seus, bem como todos os resultados que devemos alcançar em uma organização.

Na verdade o “cara” que é incompetente é tão perigoso quanto o sabotador, com uma, senão a mais fática diferença: não consegue ver o além e prima por, ainda, muita ambição. Sofredor nato, com poucas considerações do seu próprio ser: incompetente auto-sabotador.

 

Cora Fernanda de Faria Lima

Assistente Executiva

Escritora de artigos secretariais para

administradores.com

Pós-graduanda em Psicologia Organizacional

Membro do COMSECDF

Palestrante do curso “Perfis Secretariais”

E-mail: cfarialima@hotmail.com

 

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