Como a mente opera | Executiva News | 20ª Edição | Marcelo Bartholomeu | Executiva News Revista Digital

Como a mente opera | Executiva News | 20ª Edição | Marcelo Bartholomeu

Dando continuidade ao artigo anterior (“A mente”), quero agora convidá-lo, caro leitor, a conhecer um pouco sobre os aspectos do funcionamento da mente humana.

Vamos lá!

Sistema 1 e Sistema 2

Como dito anteriormente, a mente funciona como um programa de reconhecimento de padrões.

De forma coletiva, esse tal “programa” começou a ser elaborado por nossos ancestrais, desde o início dos tempos. De forma individual (considerando nossa vida atual), começou a ser elaborado quando ainda nos encontrávamos no útero e recebeu seus principais comandos quando de nossa mais tenra (e frágil) infância (lembre-se de que naquele momento não contávamos nem com discernimento, nem com recursos emocionais desenvolvidos). Nessa primeira fase da vida, imagens, sons, sensações e cheiros foram todos “rotulados” e transformados em registros de memória profunda.

Podemos dizer que a mente, quando já em operação, funciona através de dois modos, os quais vamos chamar de “Sistema 1” e “Sistema 2”.

A “divisão de trabalho” entre esses sistemas costuma ser altamente eficiente. Porém, como veremos adiante, é preciso entender que, por conta de sua automaticidade, o Sistema 1 sofre distorções, erros que ele tende a cometer em situações específicas.

Sistema 1

O “Sistema 1” é representando por nosso “automático”; é involuntário, impulsivo, inconsciente; faz os primeiros reconhecimentos de padrões e associações, funciona de forma rápida, com pouco ou nenhum esforço, praticamente sem percepção de controle voluntário; é o que gera as primeiras impressões, intuições, intenções, sentimentos, desejos.

Sistema 2

O “Sistema 2” funciona de forma mais lenta e trabalhosa e é ativado quando o Sistema 1 não oferece resposta adequada, quando há algum controle voluntário, estado de consciência ou necessidade de concentração, escolha ou tomada de decisão; dispensa atenção às atividades, freia os impulsos; é o que decide pensar e o que fazer a respeito de algo, elabora as ideias e conteúdos.

Quando tudo funciona suavemente – o que acontece na maior parte do tempo –, o Sistema 2 adota as sugestões do Sistema 1, com pouca ou nenhuma modificação. Impressões e intuições se tornam crenças, e impulsos se tornam ações voluntárias.

O Sistema 2 é alimentado pelo Sistema 1 e só é acionado quando se detecta um evento que viola os registros, os modelos do mundo mantido pelo Sistema 1 (onde abajures não pulam, gatos não latem e gorilas não atravessam quadras de basquete – a “surpresa” costuma ativar e orientar o estado de atenção).

Ao Sistema 2 também é atribuído o contínuo monitoramento de seu próprio comportamento (controle que o mantém educado quando se está furioso e alerta quando se está dirigindo à noite). O Sistema 2 é acionado para aumentar o esforço quando detectado que um erro está prestes a ser cometido e se torna necessário recobrar o controle da situação.

Como pensamos e agimos

Foi dito acima que o Sistema 1 é o nosso “automático”; é involuntário, impulsivo; faz os primeiros reconhecimentos de padrões e associações, funciona de forma rápida, com pouco ou nenhum esforço; é o que gera as primeiras impressões, intuições, intenções, sentimentos, desejos.

Pois bem: num primeiro momento, quando um evento acontece (uma pessoa ou imagem surge em nosso campo de visão, ouvimos um som, percebemos um movimento ou trepidação, sentimos algum cheiro), o Sistema 1 (sem que o percebamos) é imediatamente acionado. Instantaneamente, dá-se início a uma complexa rede de eventos mentais, começam a se realizar conexões dos registros em nossa memória profunda. Ideias são disparadas, que, por sua vez disparam novas ideias numa cadeia quase infinita.

Por exemplo: “vômito” se conecta a “mal estar” que se conecta a “sujeira” e por aí vai (desagradável, né?!). Uma lembrança leva a outra, que levam a emoções, que por sua vez evocam expressões faciais ou físicas e outras reações que podem ou não intensificar essa rede de eventos e reforçar ideias compatíveis. Partindo de um evento inesperado, numa fração de segundo o Sistema 1 extrai tanta informação quanto possível (resgata experiências passadas, estima ameaça presente e cria contextos para futuros acontecimentos.

Nesse processo, acredite ou não, o Sistema 1 trata uma mera palavra (vômito) como uma “representação da realidade” resultando em reações emocionais, físicas e comportamentais.

Em situações como essa, o Sistema 2 acredita estar no comando; quando na realidade tais reações são instintivas, automáticas, mero resultado do funcionamento do Sistema 1.

O Sistema 1 fornece as impressões que, muitas vezes, geram nossas crenças e é a fonte dos impulsos que se transformam em nossas escolhas ou comportamentos – e o faz sem que você tenha conhecimento consciente de suas atividades. Ele oferece uma interpretação subjetiva (é um processo oculto, desconhecido) do que acontece conosco e à nossa volta, ligando o presente com o passado recente e com expectativas sobre o futuro próximo. Contém o “modelo de mundo” que avalia instantaneamente os eventos como normais ou surpreendentes. É a fonte de nossos julgamentos intuitivos (e muitas vezes precisos).

Já as situações que fogem da normalidade, que de alguma forma tiram nosso conforto, exigem um estado maior de vigilância: eis que surge o Sistema 2. Seu uso exige atenção, esforço e consome energia (entre concentração e tentação, certamente cederá à tentação – lei do menor esforço).

“Segundo experimentos, todas as variedades de esforço voluntário (cognitivo, emocional ou físico) dependem ao menos em parte de uma reserva compartilhada de energia mental.”

“Um esforço de vontade ou autocontrole é cansativo e, muitas vezes, desagradável: se você se vê obrigado ou forçado a fazer algo, muito provavelmente estará menos disposto ou menos capacitado de exercer seu autocontrole quando uma nova tarefa ou necessidade se apresentar – o que será entendido como perda de motivação (o sistema nervoso consome mais energia do que outras partes do corpo).”

No próximo artigo falarei um pouco sobre “erros cognitivos” e, quem sabe, sobre “crenças”.

Até breve.

 

Marcelo Bartholomeu

Desenvolvimento Pessoal

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